MUnA: o acervo antes do museu

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Boa leitura!!!

 

Dedico este trabalho a todos que contribuíram, contribuem e hão de contribuir com a existência do Museu Universitário de Arte. 

Sofia Martins

No ano de 2021 ingressei como bolsista de extensão no Museu Universitário de Arte (MUnA), onde permaneci até 2023. Durante esse período de dois anos desempenhei a função de estagiária de acervo do museu, concentrando meus esforços na exploração da sua reserva técnica e na catalogação das obras ali presentes. Inicialmente, em decorrência da pandemia de Covid-19, desempenhei minhas atribuições em regime de home-office.

A primeira tarefa que me foi atribuída consistiu na verificação das obras do MUnA desprovidas de registros de doação. Para tanto, consultei o acervo digital do museu, identificando todas as obras sem informações sobre sua origem. Em seguida, localizei possíveis meios de contato com os artistas responsáveis por essas obras, com o objetivo de obter esclarecimentos sobre o processo de doação.

Caso obtivesse retorno, o próximo passo seria solicitar aos artistas que assinassem os termos de doação, os quais incluíam autorização para o uso de imagem das obras. Essa tarefa demandou o contato com mais de 100 artistas, evidenciando a ausência de registros de doação para uma parcela significativa do acervo. Com o retorno das atividades presenciais ao longo dos meses de 2022, meu escopo de responsabilidades no Museu Universitário de Arte se ampliou. Além das atribuições anteriores, como a limpeza preventiva das obras, a catalogação no sistema e a organização da reserva técnica, novas tarefas foram incorporadas à minha rotina.

No entanto, mesmo com a retomada das atividades presenciais, eventualmente ainda me deparava com obras desprovidas de documentação adequada. Essa situação levantou uma série de questionamentos: Por que tantas obras no acervo do MUnA carecem de documentos de doação? Como esses trabalhos chegaram ao acervo do museu? Quem foi o responsável pela doação dessas obras? Em que momento foram adquiridas? Essas indagações, embora pertinentes, acabaram sendo preteridas a um segundo plano devido à quantidade de demandas relacionadas ao acervo. Contudo, essas questões permaneceram em meu inconsciente, aguardando uma oportunidade para serem abordadas de forma mais aprofundada. No início de 2023, a pedido do professor Rodrigo Freitas, então coordenador do MUnA, fui encarregada de organizar alguns documentos nos armários da coordenação.

Durante esse processo de triagem, ao examinar várias caixas, deparei-me com uma pasta verde. Ao abri-la, encontrei uma série de documentos de doação meticulosamente organizados por ano, abrangendo o período de 1985 a 2017. Diante da descoberta recente dos arquivos e da persistente frustração causada pela falta de sistematização dos dados históricos e arquivísticos do MUnA, optei, sob a orientação de Rodrigo, por empreender uma investigação sobre a origem do acervo do museu e seu impacto no surgimento da instituição. Nosso objetivo era documentar e estruturar essa narrativa histórica, utilizando como 14base os arquivos físicos disponíveis no MUnA, tais como atas de reunião, projetos de pesquisa, convites de exposição, fotografias, recortes de jornais, termos de doação e documentos internos.

Ademais, decidimos enriquecer nosso corpus documental por meio de entrevistas conduzidas com Ana Maria Araújo e Alexandre França, ex-professores do Departamento de Artes Plásticas (DEART), que desempenharam papéis fundamentais na formação do acervo e na criação do museu. A maior parte do acervo documental utilizado estava armazenada em caixas e pastas nos armários da coordenação do MUnA, enquanto outros documentos estavam dispersos nos armários da antessala da reserva técnica da instituição. Após a fase de coleta deu-se início ao processo de organização e sistematização do material adquirido, sendo cada documento catalogado e categorizado de acordo com critérios específicos. A inclusão dessas fontes primárias proporcionou uma abordagem multifacetada à pesquisa, permitindo uma análise profunda e abrangente do tema em questão.

No entanto, é importante destacar que, apesar da abordagem historiográfica adotada, a pesquisa deste livro é fruto de um Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido no âmbito da graduação de Artes Visuais. Portanto, o método histórico-documental utilizado foi apenas uma ferramenta metodológica, sem a intenção de estabelecer este trabalho como uma pesquisa histórica formal. Para compreender a origem do acervo do MUnA e o surgimento do museu universitário foi necessário investigar primeiramente o Departamento de Artes Plásticas (DEART) e sua relação com o tripé universitário de ensino-pesquisa-extensão.

Nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, o departamento organizou diversas atividades, como oficinas de arte, palestras com artistas, mostras de cinema, festivais e exposições. Ao promover eventos para a comunidade, dar destaque a artistas locais e facilitar a descentralização da produção artística nacional dos grandes centros urbanos para o interior do país, o DEART se estabeleceu como um importante agente cultural em Uberlândia. Além disso, as exposições realizadas durante esse período contribuíram significativamente para a formação do acervo do DEART, por meio de doações de obras por parte dos artistas expositores, e posteriormente no surgimento do Museu Universitário de Arte, em 1996.

A partir da relevância do ensino, pesquisa e extensão ao longo da trajetória do DEART e considerando que o objeto de estudo desta pesquisa é o MUnA, o primeiro capítulo deste trabalho foi intitulado "O Ensino, a Pesquisa e a Extensão - Considerações e Desdobramentos". Neste capítulo introdutório apresentamos de forma sucinta a tríade universitária ensino, pesquisa e extensão, bem como seus objetivos no contexto da formação universitária brasileira. Em seguida o capítulo se divide em duas seções principais: "Museus Universitários" e "O Departamento de Artes Plásticas (19721996)". Na primeira sessão abordamos a definição de museus universitários, seus objetivos e sua re15lação com o ensino, pesquisa e extensão. Esta parte inicial, de natureza mais teórica, fundamenta-se nas pesquisas de Adriana Mortara Almeida (2001), Lídia Meirelles (2015) e Lígia Martins (2012).

Na seção seguinte inicia-se a trajetória do DEART a partir dos projetos de pesquisa-ensino-extensão, desde 1972 até 1996. Devido à quantidade de atividades realizadas ao longo destes, 24 anos, esse trabalho aborda apenas os projetos relacionados diretamente com o surgimento do MUnA: as exposições do DEART e os projetos de pesquisa. Adicionalmente, são investigadas as dificuldades enfrentadas para a realização das exposições devido à ausência de um espaço adequado, bem como a luta do departamento para conquistar um ambiente cultural próprio. Como resultado desse esforço foi elaborado um registro histórico abrangente, com mais de 70 exposições organizadas pelo DEART ao longo de sua história. Esse registro não apenas aprimorou a compreensão do papel desempenhado pelo departamento na formação do MUnA, mas também ofereceu uma visão mais ampla e detalhada das contribuições culturais e artísticas dessa instituição ao longo dos anos.

É interessante destacar que mais da metade das obras do acervo do DEART foram constituídas a partir de exposições ou pesquisas. Essas aquisições, provenientes da doação de artistas e de outros colaboradores, consolidaram o acervo de arte do DEART, desempenhando um papel fundamental no enriquecimento do patrimônio cultural do departamento e da universidade. Essa trajetória ilustra não apenas a relevância das exposições e das pesquisas como meio para a aquisição de obras de arte, mas também do impacto duradouro que essas iniciativas tiveram na história do DEART e, por extensão, no surgimento do Museu Universitário de Arte em 1996. Antes de abordar a construção do MUnA na década de 1990, o Capítulo II é integralmente dedicado ao acervo do DEART. Inicialmente são apresentados alguns dados sobre o acervo, contendo todas as obras adquiridas pelo departamento no período de 1975 a 1991. Em seguida o capítulo se desdobra em seis subcapítulos.

O primeiro utiliza a primeira lista de acervo do DEART como fonte para discutir as primeiras aquisições da coleção. O segundo aborda o início da década de 1980 e a realização da primeira Mostra do Acervo da UFU em 1983, com base na segunda listagem do acervo. O terceiro trata das aquisições provenientes do projeto "As Artes Plásticas do Triângulo Mineiro" e das exposições realizadas na galeria, utilizando documentos de doações, convites de exposição e relatos orais de Ana Maria como fontes. O quarto discute as catalogações realizadas nos anos de 1987 e 1988, com base em arquivos de catalogação encontrados.

O quinto aborda o agrupamento do acervo de 1992 e as consequências desse processo, com relatos de Alexandre França. Por fim, o capítulo é encerrado com algumas Considerações Acervísticas. 16No Capítulo III adentra-se no Museu Universitário de Arte, mas a partir de três frentes diferentes. No primeiro subcapítulo destrincha-se minuciosamente o processo de idealização, construção e concretização do MUnA, abrangendo um período de 1992 até 1998. Já no subcapítulo seguinte são apresentadas as coleções que constituíam o acervo do museu nesse primeiro momento, enquanto no último é apresentada uma breve retrospectiva do acervo do MUnA até chegar em 2026. Após as considerações finais o trabalho se estende por meio de apêndices e anexos, os quais, embora não façam parte do corpo principal do texto, representam uma contribuição significativa para este livro.

Nos apêndices, são apresentadas as exposições promovidas pelo DEART de 1977 a 1998, juntamente com as duas entrevistas completas realizadas com Ana Maria Araújo e Alexandre França e uma linha do tempo de 1972 a 1998. Nos anexos, encontram-se as digitalizações dos principais documentos obtidos durante a pesquisa de campo, os quais foram sistematizados e documentados ao longo do estudo. 

 

Copyright © 2026 Todos os direitos reservados à autora

Título: MUnA: o acervo antes do museu

Autora: Sofia Martins

Posfácio: Rodrigo Freitas

Revisão: Cleusa Bernardes

Projeto Gráfico: Thiago Carvalho

Capa: Alissa Cica

Desenho de capa: Elza Cristina dos Santos

Foto do MUnA: Ricardo Pereira  

Editor: Robisson Sete

 

www.editorasubsolo.com.br

[email protected]

Uberlândia (MG)

Conselho Editorial: Cleusa Bernardes, Nicolas Gomes,

Robisson Sete, Sergio Bento, Thiago Carvalho

 

Catalogação na publicação Elaborada por Bibliotecária Janaina Ramos – CRB-8/9166

M386m

Martins, Sofia

MUnA: o acervo antes do museu / Sofia Martins; Introdução de Sofia Martins; Posfácio de Rodrigo Freitas. – Uberlândia/MG: Subsolo, 2026.

248 p., fotos.; 23 X 26 cm

ISBN 978-65-88075-96-8 1

Museus - Acervos. I. Martins, Sofia. II. Freitas, Rodrigo (Posfácio). III. Título.

CDD 069.5

Índice para catálogo sistemático I. Museus - Acervos

 

Contato:

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